quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Cristóvão Colombo – Imaginando o Éden


“Colombo ficou com a fama de ter descoberto a América, mas outros europeus estiveram no continente 500 anos antes dele.”1

Colombo, chegado à América, encontrava-se em ignorância sobre as propriedades dos milhares tipos de ervas e flores que viu. Sua ignorância se estendia também a chamar de índios àqueles, por crer ter chegado ao continente da Índia. Não entendia a sua língua, como também julgava estranhas ou abomináveis suas vestimentas. Seus cabelos eram longos e retos, e eram mais rápidos, mais inteligentes e menos covardes.

Ele e outros primeiros exploradores europeus observaram tições nas mãos dos nativos, os quais chamavam pelo nome de tabacos. Não entendiam o gosto ou o benefício dos nativos nisso, quando extraíam o fumo por sucção, causando uma moleza ou um tipo de intoxicação.

Relatavam também que os nativos não tinham alguma religião que pudesse ser descoberta, e, além disso, que eram inofensivos, sem noção de iniquidade. Rapidamente, aprendiam a fazer orações conforme os europeus lhes repetissem, e também a fazer o sinal da cruz. “Então, ele aconselhou seus senhores reais: ‘Vossa Alteza deve adotar a resolução de convertê-los ao Cristianismo’. Tal projeto, explicou sem nenhum traço de ironia, ‘seria suficiente para ganhar à nossa santa fé multidões de pessoas e à Espanha grandes riquezas e imenso domínio.’”2 A conversão era uma estratégia que Colombo e outros europeus antigos tinham para lidar com a América e os americanos que encontravam.

Para Colombo em Cuba, ainda que pensasse estar na Índia, tudo parecia verde como em abril em Andaluzia; os dias eram quentes e as noites eram suaves como maio em Andaluzia. A terra e as árvores eram muito verdes e tão amáveis quanto os pomares de Valência em abril.

“’Não tenho dúvida, mais serena Princesa,’ relatou Colombo, ‘de que havia pessoas propriamente devotas e religiosas a vir dentre os nativos, e aprender sua língua seria uma questão fácil para convertê-los todos ao Cristianismo, e espero em Nosso Senhor que Vossa Alteza irá... trazer à igreja tantas multidões, porquanto exterminou aquelas que se recusaram a confessar o Pai, o Filho e o Espírito Santo.”

Os lugares estranhos que ele visitou ficaram mais compreensíveis uma vez que lhes deu nomes de santos.

Colombo observou que aquelas pessoas andavam nuas, exceto as mulheres que usavam uma delgada cobertura sobre os quadris. Admitindo que suas maneiras eram muito decentes, via isso como um sinal de sua inocência aborígene. Viam como uma lembrança do homem natural. A diferença entre Colombo e outros exploradores e colonizadores europeus antigos era que ele levou o sonho do Éden ao extremo. Acreditando ter descoberto as Índias, como não encontrava as lendárias cidades do ouro e prata descritas por Marco Polo, não tendo sua crença confirmada por descobertas subsequentes, Colombo consolou-se com a convicção de que encontrou literalmente o Jardim do Éden.

“’Não defendo que o Paraíso terrestre tenha a forma de uma montanha rochosa,’ insistia Colombo, ‘como é mostrado em imagens, mas que fica no cume do que descrevi como o talo de uma pera’. ‘Não encontro quaisquer escritos gregos ou latinos que declarem definitivamente a situação mundana do Paraíso terrestre,’ Colombo escreveu, ‘e eu acredito que o Paraíso terrestre está aqui’ apenas além do novo mundo estranho que ele tinha encontrado.”3 Ele não acreditava que alguém pudesse chegar ao topo e entrar no Jardim do Éden, mas estava firmemente convencido de que os córregos e os rios fluíam do Paraíso terrestre e, portanto, havia chegado mais perto do que ninguém ao lugar onde foi colocada a Árvore da Vida.

Referências:

[1] FERRONI, Marcelo. Os vikings e a chegada ao Novo Mundo. Disponível em: http://galileu.globo.com/edic/111/rep_vikings.htm, acessado em 28/11/2012.

[2] GRAY, Richard. History of American Literature. Editora: Blackwell Publishing (2004). Pág. 2.

[3] Ibid. [2]; pág. 3.

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